27/10/2007

Poema anorético

Era um poema tão hermético
que nem a alma se lhe via.
Com um título atlético
que, ainda mais, o reduzia.
De corpo tão esquelético,
não conseguia respirar.
As voltas foram tantas,
ficou zonzo a cambalear.
Nem o calor das mantas
o tirava do torpor.
Sem ponta por onde pegar.
Fiquei de mau humor.
Não o pude amparar.
Havia uma palavra ou outra
sujeita a tal compressão,
como a frase era rota,
não fazia oração.

As rimas andavam soltas
como as folhas do Outono.
Os versos davam voltas,
pareciam cão sem dono.
Osso duro de roer.
Não o lia de nenhum jeito.
Quem o haveria de ler?
Achá-lo-ia imperfeito.
As palavras estão caras,
mas não sou de poupar,

penduro-as nas varas
para o vento as levar…

___________
Pedro Arunca
2007-10-27

10 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Ironicamente LINDO!

BOM DOMINGO!!!!

Papoila disse...

Eu fiquei de bom humor ...ao te ler

Beijos
BF

Paula Raposo disse...

Eu gosto da tua imaginação!!

disse...

Olá, Pedro!
Belíssimo o seu espaço. Voei na minha imaginação, mas só. Palavras... mal linhas e lãs consigo tricotar.
A sua visita adoçou o meu dia.
Bjs no coração.
Dô.

Sol da meia noite disse...

Nem tudo se esconde assim tão bem... a alma, então...
Rimas soltas como as folhas do Outono...
Palavras que o vento leva...

Gostei do poema!
*

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Saravá!

Gostei:) e por isso regressarei!
**********

Mena G disse...

Alma de marinheiro só pode rimar com mar.
A rima não importa, todo o poema ondula ao sabor de uma qualquer maré.
Bonito!

Papoila disse...

Momento lindo esse "ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais..."

Amo essa música
Obrigada por esta manhã ma relembrares.

BF

Vanessa disse...

Pedro:
seu blog encheu meu coração de alegria e admiração
bjnhos no seu coração
Vanessa Zuppo

Å®t Øf £övë disse...

Pedro,
Quantas vezes passamos dias ou horas em busca da palavra certa para a colocar no seu devido lugar em cada frase.
Bom feriado.
Abraço.