31/10/2008

Nos meus elementos

Quero ser chuva
e percorrer teus íntimos regatos
e ser orvalho nos teus lábios

Quero ser terra

e ter o desenho dos teus passos
e ser cama nos teus cansaços

Quero ser fogo
e devorar-te numa chama lenta
e morrer nas tuas cinzas

Quero ser vento
e perder-me nos teus cabelos
e renascer nos teus braços

21/10/2008

A noite sendo













O dia muda de tom sem que eu nada, por mim, faça

os pássaros apressados em debandada, por cima dos telhados,
levam com eles os restos da cidade e do sol
pouca gente na rua e a que passa diminui
Correm mais os menos carros; os que abrandam e param
juntam-se aos demais a disputar o encosto do passeio;
mais deles, que dos passos
Fecham-se algumas janelas e caem, sobre elas, os estores.
Para fora, assunto encerrado.
Cá dentro, no meu convento, escrita adiada.
A noite devolve-me a dimensão das minhas inquietações...

18/10/2008

Codornizes com castanhas

Ingredientes (4p):
Codornizes: 12
Castanhas: 800 g
Bacon: 10 fatias
Pikles: 1 frasco peq.
Cerveja preta: 2 (x33cl)
Cenouras: .....2 médias
Cebolas:....... 3 "
Alhos:.......... 3 dentes médios
Tomilho:....... 2 colheres de chá
Margarina ou banha de porco: q.b.
Sal:.............. q.b.
Pimenta:....... q.b.
Preparos:
Fazer marinada com: cervejas, sal, os alhos moídos, pimenta e tomilho.
Mergulhar as codornizes na marinada, uma a uma, calcando-as bem de modo a "absorverem" o "molho". Devem nadar de 6 a 12 horas.
Mãos à obra:
Cortar as cebolas e as cenouras em rodelas finas.
Untar o tabuleiro com margarina ou banha (ou 50/50). Colocar as rodelas de cebola e de cenoura de modo a taparem o fundo e, por cima dispor as fatias de bacon.
Juntar as codornizes, abertas para cima, intercalando os pikles. Cobrir com as castanhas e regar com parte do "molho" da marinada. Levar ao forno (+180º), cerca de 1 hora e vigiar o molho e a assadura, com regas pontuais, utilizando o resto da marinada.
Escolha um bom vinho tinto e......... bom apetite.

16/10/2008

Livro de cabeceira

Alguém que te tangente
partirá numa aventura
dentro dessa capa dura
está o Sol em fase carente

Desfolhe com doçura
páginas de tinta recente
minha escrita complacente
com acentos de amargura

Não páres num resumo
nem nas notas de rodapé
no teu livro de maré
sublinhei frases de rumo

Noites brancas com café
dias negros à luz do fumo
tuas linhas foram meu prumo
deixei de escrever sem pé

Vê quem deitas à cabeceira
para te ler nas folhas nuas
se não te conhece as luas
vão dormir a noite inteira

14/10/2008

Foge

Foge
Força a chave
Fecha a porta por dentro
Fica deitada no teu canto a pensar
Faz de conta que lá fora faz mau tempo
Folheia mais uma vez esse "grande" livro de pó
Finge que te preocupas com todos e ninguém contigo
Fala do quanto lamentas as lágrimas que deixaste escapar
Ferve a água para o chá
de cidreira que te acalma
Fantasia mais e solta os desejos reprimidos
Ferida que mexes continua doendo
Fixa essas rugas precoces
Fecha a porta por fora
Falta amanhã
Foge

12/10/2008

Nunca te disse adeus

Não houve um adeus,
simplesmente, nunca parti
Para além do desejo,
resisto à crueldade do tempo
Vivo suspenso num beijo
Refaço-me, inteiro,
dos destroços que nunca abandonei
Teimoso mar de melancolia
Explicável vontade, repleta de sentidos,
justifica palavras e memórias intactas
capazes de te adivinharem na noite mais escura
Se a saudade corrói, tenho salitre na alma

Desanimados

video

03/10/2008

Hipotódromo da má língua

contributos para um hipotético acordo ortopédico da língua


Atmosfera: animal que polui o ar que respiramos
Arroto: o buraco na camada de ozono
Botão: urna de voto no Porto
Carrocel: mais conhecido por ramona
Engalinhar: optar por engenharia
Engraxar: dar graxa ao engenheiro
Esquerdista: o que se afasta mais à direita
Gangsterismo: psiconeurose relativa a gangas
Gerico: o que o pobre diz ao médico antes de passar receita
Genética: o que devíamos passar aos nossos filhos
Homérico: o que devia pagar a crise
Janotice: facto conhecido
N€urastenia: irritação provocada pela falta de euros
Paralelo: que se destina a indivíduo de etnia cigana
Petalismo: sistema que preconiza a mentira
Socioeconómico: parceiro que faz pouca despesa
Terracota: antiga localidade
Tortilha: ilha torta
xico: António Francisco
Transparente: transporte de família

02/10/2008

Fragilidades

O meu computador deve comer muito queijo porque, volta-e-meia e sem avisador, esquece o rato. Se vivesse apertado até o compreenderia - seria do calor - mas não tem falta espaço. Vive em banda larga. Não é asfixia.
Gostava saber e explicar a razão desta anomalia. Duma coisa estou certo: não é da energia que consome, embora mais cara, de toda a UE, não passa fome. Tenho alternativa? Será problema do cursor que vive, todo o ano a poemas e mágoa, pendurado no monitor de écran plano?

Os meus amigos entendidos nestas matérias dão palpites, porque andam ocupados, ou não atendem, porque ainda estão de férias. Não sendo barra em informática, sequer coisa alguma, pela lógica da matemática deduzo, das duas uma: ou é do hardware ou é do software. Nunca do operador!

Passaram três anos, é natural um certo desgaste mas não é assim tão velho que já mereça reforma. Não vou em cantigas e não o carrego com muita treta. Não o tenho de dieta mas abuso da Internet. Num momento, está bem; noutro, pego no rato e o cursor, feito jumento, não obedece. Por mais que faça ele não mexe. Se julga que é gente, está bem enganado, não vai a murro acaba desligado. Casmurro, tento um recurso, desligo-lhe o cabo - não preciso de curso em USB -, e, sem mais nem porquê, assim que o ligo, funciona. Problema de mona a afectar a memória local ou algum dano, de ataque Trojan, contra o sistema do Tio Sam. Quem sabe, talvez uma virose infiltrada no Spam do marketing global . Assim se vê a fragilidade do meu PC!