Se alguém me chamar
Que se faça ouvir
Estarei no mar
Ou para lá a ir
Mar de todos nós
que me rodeia
Com a Lua a sós
Na maré cheia
Navegar num poema
Voar como a gaivota
Barco feito de pena
Planando sem rota
Pousar no horizonte
na linha de fundo
erguer uma ponte
ligar o Sol ao mundo
Tela feita de céu
salpicado de estrelas
envoltas num véu
morar no fogo delas
_________________
By Pedro Arunca
2018/02/01
01/02/2018
26/01/2018
Aluga-se quarto
“Aluga-se quarto
independente.
Com refeições.
Águas quentes e frias
Ambiente familiar.
Quinhentos escudos.”
Hóspedes desconfiados
olhares desamparados
Passam alguns dias
para mostrar o dente
mas continuam mudos
O mais calado é trolha
Faz tetos em gesso
O mais estranho não sei,
não suporta uma bolha
e usa um gel espesso.
Acho que é gay.
O madeirense faz um curso.
O cabo-verdiano, pedreiro
é a alegria no gira-discos,
mornas, funanás e coladeiras
O balconista, no Cais do Sodré,
com mordomias: tem cortina,
banhos diários e repete o café.
Sigo meu percurso:
de dia trabalho, de noite estudo
No Bairro Alto, corro riscos
Pelo caminho faço cadeiras
movido a cafeina
independente.
Com refeições.
Águas quentes e frias
Ambiente familiar.
Quinhentos escudos.”
Hóspedes desconfiados
olhares desamparados
Passam alguns dias
para mostrar o dente
mas continuam mudos
O mais calado é trolha
Faz tetos em gesso
O mais estranho não sei,
não suporta uma bolha
e usa um gel espesso.
Acho que é gay.
O madeirense faz um curso.
O cabo-verdiano, pedreiro
é a alegria no gira-discos,
mornas, funanás e coladeiras
O balconista, no Cais do Sodré,
com mordomias: tem cortina,
banhos diários e repete o café.
Sigo meu percurso:
de dia trabalho, de noite estudo
No Bairro Alto, corro riscos
Pelo caminho faço cadeiras
movido a cafeina
12/01/2018
Vale a pena?
Galo Inácio, foi o primeiro a despertar e, como sempre, a acordar toda a vizinhança. Subiu ao poleiro, para anunciar três novas moradoras do condomínio “Kap Oeiras”, e resumiu em roucos minutos a história delas:
Dra. Galinda, oriunda de boas famílias de Palhais, que por infelicidade, se tinha refugiado no campo (arredores de Ourique), onde a sua reputação foi abalada por certas liberdades a que na cidade não se atrevera. Consta que depenou todos os galos daquela região aquentejana. Agora animada por um projeto de montar um SPA que se denomina Galapena, com sede no Largo Pinto Dacosta no centro da vila;
Dona Fran Guida, de origem « alemã, vivera no Algarve, às custas do seu primo Zéze Pena Lisa (segundo as manas Cacareja). Com fama de empreendedora no sector financeiro, fundou a sociedade de investimento Coquelux, com sede no Cainão;
A menina Gaga Lina, solteirona, sofrera uma grande pena, esteve noiva do monarca do Perú (que falecera na noite da véspera de Natal, bêbado que nem um cacho, esfaqueado na Beira do Tacho). Ninguém sabe de que vive… milho não entra na sua goela, apenas se alimenta de lentilhas, da gamela que trouxera de Porto de Galinhas.
Ao fim da tarde, reuniram-se todos os moradores e vizinhos que viviam num anexo que dava para o quintal que a maioria sempre frequentava.
Combinaram uma festa surpresa e sem exceção, deram as boas vindas, na receção. Bateram as asas em sinal de aprovação. Foi uma festa pela noite dentro, digna de reis: milho, hortaliças, farináceos, bebidas à descrição e uns cereais proibidos, ao som da musica com a presença do DJ Galão.
Foi uma noite de arromba com alguns episódios que aqui se podem contar, outros não:
O Tó Pinto que passara a noite a tinto, arrumou uma tremenda confusão, meteu o dedo no cu do povo à procura de algo novo. Foi apanhado com um ovo, pelo Pena Velha, que escondera debaixo duma telha. Foi expulso dali acusado de roubo e com sentença de pena de morte. Muito chorou Galinda, moradora do 1º direito (filha do Patanochão), pela perda de seu comparsa e cúmplice na sua perdição: contar estrelas deitada de costas no chão.
Até Dona Pitinha, nos seus 90 anos, bebeu cerveja até cair, deu cabo da canela e adormeceu na panela.
A Tia Pita, sempre apressada, grita aflita: Oh Patacos, onde gastaste você o dinheiro que dei para a poupança da compra da ração?
Ele, na calma habitual, mostrando o jornal na página dos óbitos, pergunta:
Sabes quem morreu? O Dr. Milheiro…coitado, atropelado por uma carroça. O burro foi parar à choça e do dono nem rasto. O burro fugira da feira, carregado de pasto recolhido na eira.
Por fim, responde: . Oh mulher, achas que a comida que cai no chão, vem do céu? Investi tudo no Cainão e não tivemos sorte por causa da inflação, o que sobrou deu para apenas meio alqueire. Seja o que Deus queira.
A esposa, cacarejou umas silabas, caminhando sob as silvas, foi apanhada por uma raposa. Ninguém deu por nada. Apenas o Patanochão se assustou com um pequeno alvoroço, mas como dera com um cão pensou que fora ele desenterrando um osso.
Neste momento, devem estar a questionarem-se acerca dos outros personagens.
Acontece que nem tudo correu mal e nem tudo é notícia de jornal.
A receção foi contagiante e comovente: animação constante, música envolvente, pedradas naturais e bebidas a mais.
Galo Inácio, fez a corte ao trio, uma de cada vez levo-as até ao rio e por um fio não se fez às três. Tropeçou num fio de pesca e caiu. Como não sabia nadar, ao segundo dia, emergiu após se afogar.
Salva a honra, e da penúria, de GaLinda, temeu-se pela sorte das outras. Dedicou-se à dança do ventre ( 1milhão de seguidores no Facelook) actuando em todos os aviários do mundo. Deixou o SPA às moscas.
A
Fran Guida, na sua esperteza, envolveu-se com Patacos a quem, na sua avareza, julgava rico o pobre de viuveza. Apenas restava dinheiro para irem até a Vaso dos Catos. Acabaram seus dias servidos à mesa duma churrasqueira lá para os lados das Amoreiras (onde tinham escritório).
Gaga Lina, com a envolvência da música do DJ Galão, apaixonou-se de paixão por ele mesmo. Já a noite subia alto, ao som uma balada baixa, ainda com escuridão, só se lhe ouvia dizer “sim” e nem um “não”.
Fica por aqui esta brincadeira que me espera a ração.
By Pedro Arunca
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2018/01/11
05/01/2018
Estrelas
Vigiadas pela sua mãe Lua
Brincam à noite as estrelas
Apaguem as luzes da rua
Deixem ver o sorriso delas
O esplendor da sua luz
a qualquer um de nós
Encanta, fascina e seduz
Não estamos sós
Atraem poetas e amantes
Somando noites em claro
Contando diamantes
Me rendo e declaro
A poesia enriquece
Nas noites de luar
O sol quando aparece
As estrelas vão-se deitar
__________________________
By Pedro Arunca 2018/01/05
Brincam à noite as estrelas
Apaguem as luzes da rua
Deixem ver o sorriso delas
O esplendor da sua luz
a qualquer um de nós
Encanta, fascina e seduz
Não estamos sós
Atraem poetas e amantes
Somando noites em claro
Contando diamantes
Me rendo e declaro
A poesia enriquece
Nas noites de luar
O sol quando aparece
As estrelas vão-se deitar
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By Pedro Arunca 2018/01/05
29/12/2017
01/11/2017
Pensei num poema
Pensei em escrever um poema
Imaginei o título e a cena
Faltou a tinta na pena
Entretanto esqueci o tema
Há outras formas de o fazer
Mas não sabia escrever
Como havia de resolver?
A cabeça já a ferver
A velha máquina na arrecadação
Pó e teclas soltas em confusão
Dar às letras a imaginação
Duvidei do sucesso da missão
Pensei em dar um jeito
A barra de espaços com defeito
E sem fita, nada feito.
As palavras junto ao peito
Encontrei o velho gravador
Com fita encravada no enrolador
As pilhas sem fornecedor
Alternativa é o computador
Ninguém para o digitar
Já com palavras para debitar
Sem voz para o declamar
O sono venceu. Vou-me deitar
Imaginei o título e a cena
Faltou a tinta na pena
Entretanto esqueci o tema
Há outras formas de o fazer
Mas não sabia escrever
Como havia de resolver?
A cabeça já a ferver
A velha máquina na arrecadação
Pó e teclas soltas em confusão
Dar às letras a imaginação
Duvidei do sucesso da missão
Pensei em dar um jeito
A barra de espaços com defeito
E sem fita, nada feito.
As palavras junto ao peito
Encontrei o velho gravador
Com fita encravada no enrolador
As pilhas sem fornecedor
Alternativa é o computador
Ninguém para o digitar
Já com palavras para debitar
Sem voz para o declamar
O sono venceu. Vou-me deitar
14/04/2014
Na tua margem
A tua alma
acalenta e acalma
Na branca palma
da tua mão
o teu coração
vivo de paixão
Olhos de luar
Meu profundo mar
Que mágico lugar
Sei porque corro
Grito do morro
Pedi socorro
A paz prevalece
Nunca se esquece
quem nos aquece
Um beijo tardio
Balança o navio
Na foz do rio
Boa viagem
com ancoragem
na tua margem ______________ By Pedro Arunca 2014/04/14
acalenta e acalma
Na branca palma
da tua mão
o teu coração
vivo de paixão
Olhos de luar
Meu profundo mar
Que mágico lugar
Sei porque corro
Grito do morro
Pedi socorro
A paz prevalece
Nunca se esquece
quem nos aquece
Um beijo tardio
Balança o navio
Na foz do rio
Boa viagem
com ancoragem
na tua margem ______________ By Pedro Arunca 2014/04/14
27/06/2010
Gravitar
Misteriosa sedução
Silenciosa e sagaz fera que não fere
Invisível e envolvente teia me enleia
Estranha musica se entranha
Suspenso em divino canto
Gravito e levito
Circundantes chispas de fogo colorido
Etérea e poderosa força
Rompe fronteiras além de mim
Desconhecidos confins
Brisa de luz incandescente
Sonho ou Universo do avesso?
Abandono a questão
Rendido
Silenciosa e sagaz fera que não fere
Invisível e envolvente teia me enleia
Estranha musica se entranha
Suspenso em divino canto
Gravito e levito
Circundantes chispas de fogo colorido
Etérea e poderosa força
Rompe fronteiras além de mim
Desconhecidos confins
Brisa de luz incandescente
Sonho ou Universo do avesso?
Abandono a questão
Rendido
10/01/2010
27/12/2009
26/12/2009
13/12/2009
12/11/2009
Anoitece
Imensa noite de eterno silêncio
Céu cravejado de infinitas estrelas
Misteriosa brisa, seduz.
Cúmplices, as árvores, trocam segredos
Dançam ao ritmo das sombras.
Sonhos crescentes na míngua do tempo
No confronto da luz perdem-se medos.
Leva-me, Lua Nova!
Leva-me, Lua Cheia!
Céu cravejado de infinitas estrelas
Misteriosa brisa, seduz.
Cúmplices, as árvores, trocam segredos
Dançam ao ritmo das sombras.
Sonhos crescentes na míngua do tempo
No confronto da luz perdem-se medos.
Leva-me, Lua Nova!
Leva-me, Lua Cheia!
11/11/2009
O grilo
Canta o grilo, de casaca,
noite e dia, sem ressaca
gri, gri, gri,
gri, gri, gri
tem bom ouvido
fica quieto e mudo
se escuta algum ruído
gri, gri, gri
Canta com mesma garra
que a famosa cigarra
gri, gri, gri,
gri, gri, gri
vestido sempre a rigor
sem cerimónia de gala
como merece um bom cantor
noite e dia, sem ressaca
gri, gri, gri,
gri, gri, gri
tem bom ouvido
fica quieto e mudo
se escuta algum ruído
gri, gri, gri
Canta com mesma garra
que a famosa cigarra
gri, gri, gri,
gri, gri, gri
vestido sempre a rigor
sem cerimónia de gala
como merece um bom cantor
28/10/2009
Regresso
Renovado, regresso consciente de ter renascido. Grato a quem se empenhou e me deu apoio. Afastado das palavras e não das pessoas (algumas). Na sua ausência entrego-me ao silêncio da pintura.
Mudanças em curso. História a cumprir-se. Destino incerto, tal como o caminho, vago é ser lúcido porque não se adivinha. Não sei para onde vou, sei que não fico por aqui. Rumo além de mim.
Na apatia aparente revi gestos, palavras e gente.
Se com pedras se ergueram castelos (e também se destruiram) com pedras se fizeram estradas e barraram caminhos. Quero o meu livre, para fazer de algumas marcos da minha passagem.
Mudanças em curso. História a cumprir-se. Destino incerto, tal como o caminho, vago é ser lúcido porque não se adivinha. Não sei para onde vou, sei que não fico por aqui. Rumo além de mim.
Na apatia aparente revi gestos, palavras e gente.
Se com pedras se ergueram castelos (e também se destruiram) com pedras se fizeram estradas e barraram caminhos. Quero o meu livre, para fazer de algumas marcos da minha passagem.
09/08/2009
Até já
Vou indo…passarei os proximos 10 dias na horizontal, com tudo pago. Há 2 anos que esperava esta oportunidade. Será a minha prenda no próximo dia 11. Não convido ninguém mas Deus não faltará. Não deve haver bolo nem champanhe. Festa sim, com farpelas azuis e brancas.
Vou carregar pilha e espero bater o coelhinho da Duracel.
Levo muitos de vós na minha memória que desejo manter intacta. Quem entrou no meu coração não sai e quem está de fora, comigo no seu, pode entrar.
Esperem por mim. Prometo mudanças. Até já
Vou carregar pilha e espero bater o coelhinho da Duracel.
Levo muitos de vós na minha memória que desejo manter intacta. Quem entrou no meu coração não sai e quem está de fora, comigo no seu, pode entrar.
Esperem por mim. Prometo mudanças. Até já
22/07/2009
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