22/07/2009
10/07/2009
Samuel é marinheiro
Marinheiro corajoso
não sabia nadar
Num dia tempestuoso
viu seu barco afundar
a voz grossa e rouca
de pouco lhe valia
levou as mãos à boca
como o mestre fazia
Encheu o peito de ar
e gritou tanto, tanto
Fez-se ouvir em Qatar
Nunca acontecera antes
Pra seu próprio espanto
uma manada de elefantes
tirou a água ao mar
Foi a pé para casa
Quando lá chegou
tinha os pés em brasa
Meteu a chave à porta
mas não entrou
A chave estava torta
Entrou pela janela
aberta para o quintal
Na cama dormia a cadela
que nem deu sinal
No tapete fez paragem
e adormeceu no chão
cansado da viagem
Sonhou ser capitão.
-Samuel, acorda! Tens natação.
__________________
Desenho oferecido pela Debbie
29/06/2009
Como sou
certezas e utopias
experiência e conhecimento
instinto e fé
construo meu caminho
Com lições de convivência
ditos e filosofias
acrescento pedaços alheios
Farinha de um grande saco
meu grão não é único
meu tempo também não
nem mais nem menos
sou fracção e produto
duma grande equação
01/06/2009
Presente do dia
O teu presente sou eu!
Dá-me a tua mão
leva-me onde quiseres
hoje nada te nego. Nada
vou seguir teus passos
estar atento às tuas palavras
jogar aquele jogo maluco
fazer pipocas
comer gelado
ver desenhos animados
jogar bowling e futebol
dar chutos na bola
desenhar um barco
dar cambalhotas
andar descalço
fazer uma tenda no teu quarto
O que dizes?
-Eu quero ir ao "Mec"!
Ao Meco?
-Não...ao Mac do Colombo.
Outra vez? Isso não. Fomos lá ontem.
-Vamos amanhã?
Amanhã, tenho de ir trabalhar.
24/05/2009
05/05/2009
04/05/2009
Chuva
minha alma lava
meu corpo enxuga
Leva o frio
Traz o vento
Meu arrepio
Teu momento
O céu cumpriu
Ameaça cinzenta
Alguém tingiu
A água benta
Chuva, divina chuva
Foge a folha
Solto a rolha
O rio imundo
no mar rebenta
Esconde o fundo
Maré barrenta
Chuva, divina chuva
minha alma lava
meu corpo enxuga
27/04/2009
21/04/2009
08/04/2009
Ver ao perto
ergue-se, aceso, um cigarro
O fumo dá contorno às palavras
que se dissipam
ninguém as ouve,
ninguém as lê
Olhar fixo no horizonte
onde nada acontece
Histórias comuns
de ontem e de amanhã
Há passado e futuro
quando a Terra gira
Acorda gente
Acorda mundo
Deixar de fumar
Treinar o gesto
Usar lentes de ver ao perto
Deixar aproximar
Aqui, tudo mudará
11/03/2009
04/03/2009
A fuga dos peixes
com redes de malha fina
Já não molhamos os pés
no confronto das marés
e não desobaram
abalaram sem rasto
escolheram um astro
A Lua perseguidora
O Sol mudou de turno
Pedro Arunca (poema e imagem)
03/03/2009
Nas tintas
Barcos/Virgílio Sousa/Março 2009
Este foi o resultado dum encontro de amigos para a minha iniciação nas tintas.
O Gigi foi ao mar e eu fiquei em terra.
Ontem foi um dia diferente. Ele levou um robalo e eu vim de lá com uma salema.
Obrigado amigo, pela tua disponibilidade e incentivo. O próximo vai para ti.
03/02/2009
Pintado de fresco
Pintura a óleo de Virgílio Sousa (2009/Fevereiro)
podia escolher o fundo
deitar palavras
ancorar o mar
fixar estrelas
pintar gente
colar coisas
pegar fogo
deixar pó
desenhar o mundo
No teu fundo vago e tosco
podia simplesmente
falar do horizonte
amarrar a vaga
criar o espaço
moldar o ser
colocar cor
ver arder
ser grão
tornar diferente
_________
Pedro Arunca
2009/02/03
Ao meu amigo Gigi, com um abraço. Obrigado pelo quadro (e jantar). Prepara-te para a minha Freijoada de Gambas.
30/01/2009
Janeiro
Janeiro friorento
manda chuva
manda vento
Congela o momento
do calor dum beijo
Lareira quente
pede lenha
pede gente
Conforta a quem sente
o lume no peito
Inverno de chama
dá terra
dá lama
Aquece a quem ama
o centro do leito
Serra nevada
quer tudo
quer nada
Esconde a madrugada
o sonho perfeito
Noite gelada
tem arrepio
tem geada
Apetece almofada
a quem nutre desejo
#9
14/01/2009
Contraventos
Oferta de intenções e gestos
Impossíveis contratos de bondade
Brilham gentilezas isentas de emoção
Treinam-se sorrisos magros
Falha o aperto de mão
Um olho não basta ou ser-se iluminado
Quem fala não escuta
Traduzam o sofisma viral
Inocente discurso estéril desculpado
Certificada balança infiel
A quem confiar a carta para Deus?
Promessas vãs
Sonhos do meu Universo
#8
18/12/2008
À beira dum poema
Expontâneas heras,
bebem de outras mãos
15/12/2008
Noites claras
Dispo-me e fixo a Lua
Das sombras interpreto os gestos
Faço do grito alheio o meu silêncio
Calo a voz, defendo a canção
Dias de horas confusas
Desejadas noites de sonhos claros
Incoerente sobreposição
Rosto de impensáveis lugares
Repetidos passos, mesmas pedras da rua
Devagar, ignoro o que me espera
Buracos são vazios do tempo
Esqueci palavras, jamais o olhar
Duvido da minha presença
Estranho tua figura
06/12/2008
perto de ti, ...meu mar
num palco diferente
feridas do mesmo lado
lutar e sofrer diáriamente
A meio caminho conquistado
por caminho divergente
questionar a mesma Lua
pela maré descontente
Só o dia conhece bem
como se faz cada hora
partilha-se com os deuses
o que não se vê por fora
Querer viver mais vezes
onde o sonho nos levar
viajar muito, e além,
deste sistema solar
Enquanto o Sol aquecer
e a Terra puder rodar
o meu lugar é este
perto de ti,…meu mar
