18/11/2008
Dança sem regresso
e alternados movimentos circulares
e faz teu corpo gingar
num lento e sensual vai-e-vem
e balança, como barco num agitado cais
recolhe-te ao beijo da terra
e estende teu véu
esboça um botão de rosa
com tuas mãos em prece
e inclina teu busto
cesta de generosos frutos
esperado momento
e minha dança vai começar
em gestos, de movimentadas sombras,
que avançam e hesitam como labaredas,
chamas e fogo vivo
para me acender do teu olhar
e queimar no teu rosto
e derreter em ardentes lábios
meu corpo treme em arpejos
meus dedos deslizam ao teu redor
num magnético e quente halo
tocam cordas imaginárias como se fosses harpa
e ajoelho-me sobre ti,
as minhas mãos despertam
notas baixas dum piano de emoções
citaras e tambores ocupam os meus sentidos
e tudo se move à nossa volta
e acontecem tempestades de sons
e explodem estrelas de todas as cores
e o chão afundou-se numa espiral
e não tenho onde regressar
16/11/2008
07/11/2008
o palhaço
Crianças felizes soltam gritos e risos ao vê-lo surgir.
Ao som da música, cantam com palmas cada refrão.
Assim conquista, para o meio da pista, seu coração.
- Meninos e meninas…! Meu nome é….Tra-pa-lhão!
Sou um Faz-Tudo, mas tudo, tudo me faz con-fu-são.
Conseguem imaginar um palhaço a voar?
Pois, isso aconteceu – com os tambores a rufar.
As luzes apagaram-se e todos se calaram.
- Sou um pirilampo as-tro_nau_ta!
Estou cá em cima para dar luz à mal_ta.
Com uma lanterna acesa, presa ao peito,
e ferramentas penduradas ao dispôr;
o palhaço deu um jeito em cada projector.
Ouviu-se um estrondo e uma explosão.
A luz, cheia de espanto, volta com aplausos da multidão.
Magia e surpresas nos bolsos sem fundo.
Fossem assim magos, os governantes do mundo.
Sorriso pintado, num olhar rasgado, longe da luz cruel,
arrancado às cerdas dum pincel.
O verdadeiro rosto, deposto, no espelho do camarim.
No melhor fato, feito com trapos, a ganga e o cetim.
Unidos, são remendos coloridos que dão tom à vida
e ao mundo da gente pequena e da gente crescida.
05/11/2008
Sobre viventes
de poemas esquecidos,
livres, à margem dos livros
Ressuscitam poetas
de motes vividos,
presos, dentro dos vivos
Nascem filósofos
de resumos lidos,
imunes, acima dos crivos
01/11/2008
31/10/2008
Nos meus elementos
Quero ser terra
21/10/2008
A noite sendo
Para fora, assunto encerrado.
18/10/2008
Codornizes com castanhas
Ingredientes (4p):Codornizes: 12
Castanhas: 800 g
Bacon: 10 fatias
Pikles: 1 frasco peq.
Cerveja preta: 2 (x33cl)
Cenouras: .....2 médias
Cebolas:....... 3 "
Alhos:.......... 3 dentes médios
Tomilho:....... 2 colheres de chá
Margarina ou banha de porco: q.b.
Sal:.............. q.b.
Pimenta:....... q.b.
Preparos:
Fazer marinada com: cervejas, sal, os alhos moídos, pimenta e tomilho.
Mergulhar as codornizes na marinada, uma a uma, calcando-as bem de modo a "absorverem" o "molho". Devem nadar de 6 a 12 horas.
Mãos à obra:
Cortar as cebolas e as cenouras em rodelas finas.
Untar o tabuleiro com margarina ou banha (ou 50/50). Colocar as rodelas de cebola e de cenoura de modo a taparem o fundo e, por cima dispor as fatias de bacon.
Juntar as codornizes, abertas para cima, intercalando os pikles. Cobrir com as castanhas e regar com parte do "molho" da marinada. Levar ao forno (+180º), cerca de 1 hora e vigiar o molho e a assadura, com regas pontuais, utilizando o resto da marinada.
Escolha um bom vinho tinto e......... bom apetite.
16/10/2008
Livro de cabeceira
Desfolhe com doçura
Não páres num resumo
nem nas notas de rodapé
sublinhei frases de rumo
Noites brancas com café
dias negros à luz do fumo
tuas linhas foram meu prumo
Vê quem deitas à cabeceira
para te ler nas folhas nuas
vão dormir a noite inteira
14/10/2008
Foge
Ferve a água para o chá de cidreira que te acalma
12/10/2008
Nunca te disse adeus
simplesmente, nunca parti
Para além do desejo,
resisto à crueldade do tempo
Vivo suspenso num beijo
Refaço-me, inteiro,
dos destroços que nunca abandonei
Teimoso mar de melancolia
Explicável vontade, repleta de sentidos,
justifica palavras e memórias intactas
capazes de te adivinharem na noite mais escura
Se a saudade corrói, tenho salitre na alma
03/10/2008
Hipotódromo da má língua
Atmosfera: animal que polui o ar que respiramos
Arroto: o buraco na camada de ozono
Botão: urna de voto no Porto
Carrocel: mais conhecido por ramona
Engalinhar: optar por engenharia
Engraxar: dar graxa ao engenheiro
Esquerdista: o que se afasta mais à direita
Gangsterismo: psiconeurose relativa a gangas
Genérico: o que o pobre diz ao médico antes de passar receita
Genética: o que devíamos passar aos nossos filhos
Homérico: o que devia pagar a crise
Janotice: facto conhecido
N€urastenia: irritação provocada pela falta de euros
Paralelo: que se destina a indivíduo de etnia cigana
Petalismo: sistema que preconiza a mentira
Socioeconómico: parceiro que faz pouca despesa
Terracota: antiga localidade
Tortilha: ilha torta
Tóxico: António Francisco
Transparente: transporte de família
02/10/2008
Fragilidades
Gostava saber e explicar a razão desta anomalia. Duma coisa estou certo: não é da energia que consome, embora mais cara, de toda a UE, não passa fome. Tenho alternativa? Será problema do cursor que vive, todo o ano a poemas e mágoa, pendurado no monitor de écran plano?
Os meus amigos entendidos nestas matérias dão palpites, porque andam ocupados, ou não atendem, porque ainda estão de férias. Não sendo barra em informática, sequer coisa alguma, pela lógica da matemática deduzo, das duas uma: ou é do hardware ou é do software. Nunca do operador!
Passaram três anos, é natural um certo desgaste mas não é assim tão velho que já mereça reforma. Não vou em cantigas e não o carrego com muita treta. Não o tenho de dieta mas abuso da Internet. Num momento, está bem; noutro, pego no rato e o cursor, feito jumento, não obedece. Por mais que faça ele não mexe. Se julga que é gente, está bem enganado, não vai a murro acaba desligado. Casmurro, tento um recurso, desligo-lhe o cabo - não preciso de curso em USB -, e, sem mais nem porquê, assim que o ligo, funciona. Problema de mona a afectar a memória local ou algum dano, de ataque Trojan, contra o sistema do Tio Sam. Quem sabe, talvez uma virose infiltrada no Spam do marketing global . Assim se vê a fragilidade do meu PC!
28/09/2008
Há dias assim
De repente, um trovão fez o meu coração saltar. Acordei assustado. Decidido a pôr um fim aquele tormento, resigno-me sair da cama nesse momento. Esfrego os olhos remelados, ponho um pé no chão e, ainda os dois não estavam colados, sinto o tapete fugir. De braços esticados, agarrei-me ao candeeiro. Eu caio primeiro; ele, certeiro atinge-me na cabeça e fica aceso. Possesso com tal confusão, apoio uma mão na parede e outra na mesinha de cabeceira para me endireitar. O que aconteceu não sei explicar, fomos os dois ao soalho e no meio dum palavrão ouço o rádio tocar. Não fosse a dor na testa e, de novo, aquele (!) barulho dos estores, diria estar a acordar dum pesadelo dos piores. Levo as mãos ao cabelo e dois dedos mais atentos descobrem um galo (?!). “Era só o que me faltava”, pensei.
Inseguramente, fiquei mais de cinco minutos estendido, dorido e zamboado, meio dormente. Contrariado, fui de joelhos, ver-me ao espelho da casa de banho. O galo aumentara de tamanho. Com que cara vou hoje trabalhar? A custo, lá me lavei. Hesitei na camisa e mudei duas vezes de gravata, uma porque tinha um buraco e a nova uma nódoa. De fato cinzento a condizer com a minha pasta preta (e ocasião) pego nas chaves do carro e saio porta fora. Detesto o cheiro de cigarro no elevador. Saí no piso inferior e desço oito lanços de escadas. Para a garagem, não é meu hábito ir por ali; em vão procurei o botão da luz e catrapuz, bati com a cara num pilar e esmurrei o nariz. Falhei por um triz a minha viatura.
Depois desta aventura, acham que fui trabalhar? Contei metade da história, para abreviar. Ficou por dizer, desse dia sem memória, outras coisas por que passei: cortei-me com a lâmina de barbear; o carro esteve dois dias parado com as luzes ligadas, não funcionou; com falta de rede voltei a casa para avisar aos colegas, do meu atraso; subi dez lanços de noventa e tantos degraus (!).
Há dias maus? Molhado que nem um pinto já não sei o que sinto. Dos nervos e do cansaço também não sei o que faço. Uma coisa me corre bem: o suor, em bica, generoso onde cada poro contribui com mais de um pingo. De novo, com outro fato vestido, não me dou por vencido e faço a ligação, ouço uma gravação: “blá, blá…………os nossos serviços estão encerrados...blá, blá”. Com toda a calma do mundo (e arredores!!!), pouso o auscultador, subo os estores e vejo lá fora um dia de Verão e ligo o comando da televisão no canal habitual. A esta hora, desenhos animados? Alguma coisa deve estar mal. Após este meu triste relato, e para encher mais o prato do dia, uma má notícia: o Sporting perdeu com o Benfica. Bingo!!! Afinal, hoje é Domingo!!!





