
11/09/2008
10/09/2008
30/07/2008
Aprender a fazer nós
Viver no lamentoMata a nossa alegria
Alivia o sofrimento
Ver o nascer do dia
Cada um com sua cruz
Qual delas a mais pesada
Se o tamanho não reduz
Encurtemos a caminhada
Quanto maior é o percurso
Mais custa carregar
Procurar outro curso
Talvez possa aliviar
A própria Natureza
Nos dá boas lições
A água das represas
Escapa nas evaporações
Ninguém se gabe de amar
Sem nunca ter sofrido
Há caír e levantar
A própria Natureza
Nos dá boas lições
A água das represas
Escapa nas evaporações
Ninguém se gabe de amar
Sem nunca ter sofrido
Há caír e levantar
E o saber aprendido
O amor não se reclama
Nem se sujeita a nada
Só damos pela chama
Com a pele já queimada
Muitas estrelas tem o céu
Cada um procura a sua
Há a quem baste o que é seu
E quem dispute a Lua
A vida é uma montanha
Onde não chegamos sós
Com uma corda não é façanha
Se dos erros fizermos nós
__________
O amor não se reclama
Nem se sujeita a nada
Só damos pela chama
Com a pele já queimada
Muitas estrelas tem o céu
Cada um procura a sua
Há a quem baste o que é seu
E quem dispute a Lua
A vida é uma montanha
Onde não chegamos sós
Com uma corda não é façanha
Se dos erros fizermos nós
__________
Pedro Arunca
2008-07-30
2008-07-30
29/07/2008
Minha caravela

A lápis e pincel
fiz o meu primeiro barco
Numa folha de papel
fui Dias, Gama e Zarco
Linha curva na horizontal
e dois arcos inclinados
uniam outra linha igual
em ângulos calculados
Havia uma enorme vela
e um sol imponente
Da minha caravela
partia um palmo de gente
No porão cabiam os sonhos
e outras mil invenções
Não levava monstros medonhos
nem outras inquietações
A cruz dos Descobrimentos
pelo mar azul imaginado
Erguia monumentos
em cada porto alcançado
Das minhas viagens
só me lembro das partidas
e de fazer as ancoragens
nas histórias muito lidas
Os piratas ficavam nos livros
fechados a sete chaves
Os primatas davam gritos
Assustadas, fugiam as aves
Naquele pedaço de papel
cheio de côr, céu e mar
cabia o mundo nele
havia espaço para sonhar
______________
Pedro Arunca
2008-07-29
fiz o meu primeiro barco
Numa folha de papel
fui Dias, Gama e Zarco
Linha curva na horizontal
e dois arcos inclinados
uniam outra linha igual
em ângulos calculados
Havia uma enorme vela
e um sol imponente
Da minha caravela
partia um palmo de gente
No porão cabiam os sonhos
e outras mil invenções
Não levava monstros medonhos
nem outras inquietações
A cruz dos Descobrimentos
pelo mar azul imaginado
Erguia monumentos
em cada porto alcançado
Das minhas viagens
só me lembro das partidas
e de fazer as ancoragens
nas histórias muito lidas
Os piratas ficavam nos livros
fechados a sete chaves
Os primatas davam gritos
Assustadas, fugiam as aves
Naquele pedaço de papel
cheio de côr, céu e mar
cabia o mundo nele
havia espaço para sonhar
______________
Pedro Arunca
2008-07-29
07/07/2008
Pilita
Rija enquanto durou
Agora, amolengou
Antes que a cobra morda
Vou atá-la numa corda
Pra na me fugir
Agora, amolengou
Antes que a cobra morda
Vou atá-la numa corda
Pra na me fugir
Preciso da sacudiri
Leva tempo pá acordari
Já nem se sabe esticar
Más lenta cum caracoli
Enrola-se no mê lençoli
Ninguém a tira dali
Deu em perguiçar
Nada a faz levantar
Já não dá com o monti
Nem bebe água na fonti
Que bicho lhe mordeu?
Parece defunta que morreu
Deu-lhe pra enjoari
Nem lhe apeteci cheirar
Na juventude fazia inveja
Tinha más gás cuma cerveja
Sempre pronta pra brincar
Cu diga a minha Maria
Era nôte e era dia
Até as mulheres lá da vila
Marcavam lugar na fila
Para eu lhas mostrar
Uma moira a trabalhari
Motivo do mê orgulho
Fazia cá um barulho
Entrava pelos quintais
Espantava os animais
Eram duas, três e quatro
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama
A bicha tinha fama
Punha todo num alvoroço
Desde mê tempo de moço
A idade na perdoa
Levara um vida boa
Depois de tanto caçari
Merece descansar
Já contava mê avô:
Leva tempo pá acordari
Já nem se sabe esticar
Más lenta cum caracoli
Enrola-se no mê lençoli
Ninguém a tira dali
Deu em perguiçar
Nada a faz levantar
Já não dá com o monti
Nem bebe água na fonti
Que bicho lhe mordeu?
Parece defunta que morreu
Deu-lhe pra enjoari
Nem lhe apeteci cheirar
Na juventude fazia inveja
Tinha más gás cuma cerveja
Sempre pronta pra brincar
Cu diga a minha Maria
Era nôte e era dia
Até as mulheres lá da vila
Marcavam lugar na fila
Para eu lhas mostrar
Uma moira a trabalhari
Motivo do mê orgulho
Fazia cá um barulho
Entrava pelos quintais
Espantava os animais
Eram duas, três e quatro
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama
A bicha tinha fama
Punha todo num alvoroço
Desde mê tempo de moço
A idade na perdoa
Levara um vida boa
Depois de tanto caçari
Merece descansar
Já contava mê avô:
“nenhuma rata me escapou”
Está no sangui das gerações
Nada de confusões
Esta história aqui escrita
É a da minha gata Pilita
Está no sangui das gerações
Nada de confusões
Esta história aqui escrita
É a da minha gata Pilita
_________
Pedro Arunca
2008-07-07
Pedro Arunca
2008-07-07
01/06/2008
A terra por cumprir
Homens nunca dantes governados
Soldados em guerras de água e sal
Marinheiros a custo forjados
Carregaram bandeira ocidental
Estranhos mapas revelados
Para muitos a viagem fatal
Novos impérios e desertos de fé
Brilho dourado e aromas de café
Mares de sonhos passados
Agulha louca de barco triste
Destinos para sempre cruzados
Imponente mastro que resiste
Lua furtiva em céu sem estrelas
Assobio do vento nas rotas velas
Ainda jorra sangue das veias
Há mais castelos nas areias
Terra firme de gente insegura
Velho porto de abrigo sem mar
Chama viva que perdura
Outros mundos por desenhar
Amolecer a côdea dura
Num hino por inventar
O horizonte não está perdido
Soldados em guerras de água e sal
Marinheiros a custo forjados
Carregaram bandeira ocidental
Estranhos mapas revelados
Para muitos a viagem fatal
Novos impérios e desertos de fé
Brilho dourado e aromas de café
Mares de sonhos passados
Agulha louca de barco triste
Destinos para sempre cruzados
Imponente mastro que resiste
Lua furtiva em céu sem estrelas
Assobio do vento nas rotas velas
Ainda jorra sangue das veias
Há mais castelos nas areias
Terra firme de gente insegura
Velho porto de abrigo sem mar
Chama viva que perdura
Outros mundos por desenhar
Amolecer a côdea dura
Num hino por inventar
O horizonte não está perdido
Há futuro no desconhecido
_______
Pedro Arunca
2008-06-01
_______
Pedro Arunca
2008-06-01
15/05/2008
Pequeno acidente de viação
Pela estrada de alcatrão,
vai um grande camião,
carregado com carvão
e, na sua direcção,
uma carroça em contra-mão.
Mas que grande confusão.
Um apita, o outro não.
Dá-se uma grande colisão.
Sem qualquer explicação
Juntou-se a multidão
que ficou sem reacção.
O motorista, vermelhão,
deu uma justificação:
- Alguém me deu um empurrão
e os meus pés não chegam ao chão.
O polícia, espertalhão,
fez-lhe o teste do balão e
chegou à seguinte conclusão:
- O culpado é este anão!
carregado com carvão
e, na sua direcção,
uma carroça em contra-mão.
Mas que grande confusão.
Um apita, o outro não.
Dá-se uma grande colisão.
Sem qualquer explicação
Juntou-se a multidão
que ficou sem reacção.
O motorista, vermelhão,
deu uma justificação:
- Alguém me deu um empurrão
e os meus pés não chegam ao chão.
O polícia, espertalhão,
fez-lhe o teste do balão e
chegou à seguinte conclusão:
- O culpado é este anão!
Os burros não se multam nem têm prisão.
Nisto, chega uma senhora de roupão:
- Sabes que horas são?
Arruma já os peluches do teu irmão
e veste o pijama azulão!
Quem é que fez mal ao cão?
- Eu não! Eu não!
Onde está o João?
- Mãe, sonhei que era policia. Acordei com um barulhão.
Vi bonecos a correr, numa grande aflição.
Assumi a minha posição
e fiz uma grande investigação. Imagine a situação:
o Bobi, amarrado ao triciclo, com um grande arranhão;
o mano - debaixo da cama - a queixar-se da mão,
foi apanhado a conduzir, sem carta de condução,
o andarilho sem travão.
Tomei uma decisão:
Chamei o 112 para o acidente de viação e libertei o cão...
Nisto, chega uma senhora de roupão:
- Sabes que horas são?
Arruma já os peluches do teu irmão
e veste o pijama azulão!
Quem é que fez mal ao cão?
- Eu não! Eu não!
Onde está o João?
- Mãe, sonhei que era policia. Acordei com um barulhão.
Vi bonecos a correr, numa grande aflição.
Assumi a minha posição
e fiz uma grande investigação. Imagine a situação:
o Bobi, amarrado ao triciclo, com um grande arranhão;
o mano - debaixo da cama - a queixar-se da mão,
foi apanhado a conduzir, sem carta de condução,
o andarilho sem travão.
Tomei uma decisão:
Chamei o 112 para o acidente de viação e libertei o cão...
25/04/2008
Em Abril sonhos mil
Manifesto peitoral
Contra a evolução dos cravas
Oportunismo é fatal
Queremos um estado novo
Onde contem com a malta:
mais pessoas e menos "povo"
Paz, pão e educação
Analfabetismo nunca mais
Vida aos filhos da Nação
Deixem-nos livres para pensar
Viva a nossa reacção
É preciso despertar
Derrubemos a burocracia
Ergamos uma nova bandeira
Calemos a hipocrisia
A Terra a quem a respeita
Nela só há uma verdade:
não tem esquerda nem direita
Abaixo o comodismo
A memória a quem esquece
Morte ao conformismo
O poder a quem merece!
Contra a evolução dos cravas
Oportunismo é fatal
Queremos um estado novo
Onde contem com a malta:
mais pessoas e menos "povo"
Paz, pão e educação
Analfabetismo nunca mais
Vida aos filhos da Nação
Deixem-nos livres para pensar
Viva a nossa reacção
É preciso despertar
Derrubemos a burocracia
Ergamos uma nova bandeira
Calemos a hipocrisia
A Terra a quem a respeita
Nela só há uma verdade:
não tem esquerda nem direita
Abaixo o comodismo
A memória a quem esquece
Morte ao conformismo
O poder a quem merece!
Abril
Bocas em surdina,semeavam ideias.
Na lavra dos homens
a razão, clandestina.
As prisões cheias,
campo de reféns.
A monte, sem eira.
Noite companheira.
Na sombra dos livros,
ocultos perigos.
O poder, de uniforme,
governava a fome.
Canções caladas.
Poemas de alerta.
Palavras vigiadas.
O sol era quadrado.
Calava-se o poeta.
O cerco apertado.
No ponto de mira,
o destino africano.
Cada bala no cano,
uma vida que tira.
Luto nos pelotões.
O sangue nas fardas:
medalhas manchadas.
Cartas negras. Lições.
Mas a fé não abala.
Na aldeia e na sanzala,
reza-se pela mudança.
A paz tem muitas cores.
Nos quartéis de esperança.
Soldados em marcha,
empunham flores.
Derrubam as barreiras
e mudam as bandeiras.
Podemos falar.
__________
Pedro Arunca
2007/04/25
29/03/2008
Nosso caminho
A vida é o caminho que cada um fazPercorremo-lo, uma vez, sem marcha-atrás
Por vezes íngreme, plano e de combros
Corremos, paramos e damos nossos tombos
Deixamos marcas que nos somam os anos
Movem-nos poucas certezas e mais enganos
Fixamos rostos. Uns marcamos e outros não
Sorrisos e memórias que cabem numa canção
Não importa o quanto mais longe chegamos
Mas sim o que aprendemos e deixamos
A todo o momento pudemos fazer por mudar
Abraçar mais e aplicar o verbo amar
_______
Pedro Arunca
_______
Pedro Arunca
2008/03/29
08/03/2008
Mulher
Mulher, de hoje e de sempre
Forte árvore, frágil semente
Gera, ama, ri, sofre e sente
Sentimentos que desperta
Nossa única morada certa
Sem ela, Terra deserta:
sem calor seria a vida
sem razão seria o amor
sem ardor seria a ferida
sem emoção seria a dor
Defini-la numa palavra, é pouco
Não a achamos num grito rouco
Talvez lhe agrade um poema louco
Ver seu nome numa canção
Subir ao céu num balão
Um gesto da nossa gratidão
________
Pedro Arunca
Forte árvore, frágil semente
Gera, ama, ri, sofre e sente
Sentimentos que desperta
Nossa única morada certa
Sem ela, Terra deserta:
sem calor seria a vida
sem razão seria o amor
sem ardor seria a ferida
sem emoção seria a dor
Defini-la numa palavra, é pouco
Não a achamos num grito rouco
Talvez lhe agrade um poema louco
Ver seu nome numa canção
Subir ao céu num balão
Um gesto da nossa gratidão
________
Pedro Arunca
2008-03-08
15/02/2008
Latejo
Crescente desejo
Horas que são tuas
Na boca o beijo
De antigas ruas
♥
Nunca falar
Do que despertas
Escrever e calar
Páginas desertas
♥
Adivinhasses
Horas que são tuas
Na boca o beijo
De antigas ruas
♥
Nunca falar
Do que despertas
Escrever e calar
Páginas desertas
♥
Adivinhasses
Nada negava
Chamasses
Estava
♥
Rio parado
Diques recentes
Corpo deitado
Não sentes
♥
Nas veias o amor
Inundado coração
Sangue e calor
Latejar de emoção
Chamasses
Estava
♥
Rio parado
Diques recentes
Corpo deitado
Não sentes
♥
Nas veias o amor
Inundado coração
Sangue e calor
Latejar de emoção
_________
Pedro Arunca
2008/02/14
2008/02/14
14/02/2008
S Valentim
Catorze de FevereiroDia dos namorados
Pior do que solteiro
é ficar nos encalhados
Bombons e chocolates
com raminhos de flores
Frases nos escaparates
resumem os amores
Berloques e bugigangas
eternas recordações
Mimos são missangas
no colar das paixões
Muitos dias tem o ano
esquecidos dos festejos
Vamos corrigir o dano
Declaremo-nos com beijos
Cada um é jardineiro
do seu próprio jardim
O Amor sempre primeiro
Viva S. Valentim
________
Pedro Arunca
2008-02-14
13/02/2008
Os especialistas
São analistas e até consultores
Uns engenheiros, alguns doutores
Falam dos males e avisam os perigos
Vivem de avales mas acusam amigos
Falam de tudo, das coisas e de todos
Debitam palavras e sentenças a rodos
Discursam horas a fio, sem pausas
Descobrem a origem de todas as causas
Semeiam frases e ditos de outra lavra
Eruditos na dicção, na pose e na palavra
Falam da política, religião e de ciência
Só lhes falta um pouco de paciência
Há caminhos de pedras, marcados
e verdes de musgo, ignorados
Não pisaram a lama dos carreiros
Dos homens, dos bois e dos carneiros
Ressuscitam os mortos e enterram os vivos
Refugiam-se, fechados, em pilhas de livros
Comem fatias de pão descôdeado
Temperam tudo com sal refinado
Escrevem em todos os jornais
Só eles têm tempo para mais
Com tanta lucidez e tanto preceito
Não há quem ponha isto direito!
Tudo o que espirram tem nexo
Têm opinião, mas praticam sexo?
_________
Pedro Arunca
2008-02-13
Uns engenheiros, alguns doutores
Falam dos males e avisam os perigos
Vivem de avales mas acusam amigos
Falam de tudo, das coisas e de todos
Debitam palavras e sentenças a rodos
Discursam horas a fio, sem pausas
Descobrem a origem de todas as causas
Semeiam frases e ditos de outra lavra
Eruditos na dicção, na pose e na palavra
Falam da política, religião e de ciência
Só lhes falta um pouco de paciência
Há caminhos de pedras, marcados
e verdes de musgo, ignorados
Não pisaram a lama dos carreiros
Dos homens, dos bois e dos carneiros
Ressuscitam os mortos e enterram os vivos
Refugiam-se, fechados, em pilhas de livros
Comem fatias de pão descôdeado
Temperam tudo com sal refinado
Escrevem em todos os jornais
Só eles têm tempo para mais
Com tanta lucidez e tanto preceito
Não há quem ponha isto direito!
Tudo o que espirram tem nexo
Têm opinião, mas praticam sexo?
_________
Pedro Arunca
2008-02-13
09/02/2008
J' adore
A Ana, desafiou-me a enumerar e escrever sobre 6 coisas que eu adoro. Fiz a minha check-list. Escusado será pedirem-me para escrever sobre aquilo de que eu mais adoro (reservo algumas no segredo dos meus neurónios), mas não vou mentir sobre estas:1 - Banho de imersão às escuras, com boa música a preencher os intervalos do "chap-chap".
2 - Ilhas e praias pouco frequentadas. Nalgumas horas do dia ou a qualquer hora da noite.
3 - Comer bem e beber melhor, na companhia dos amigos. Misturas: só as evito nas bebidas.
4 - Ler um livro ou ver um filme que me desperte mais alegria, reforce o gosto pela vida e pelas pessoas e desafie a minha imaginação.
5 - Sexo: calado, murmurado, falado e escrito; sem hora e lugar marcado, mas sempre acompanhado. Tenho um postura, nem sempre firme, porque entendo que cada um defenda a sua posição. Não esqueçamos que todas as posições têm as suas virtudes e o seu ponto de vista. Precisamos de ter e mente e o corpo abertos à imaginação e à criatividade. Cada qual com os seus argumentos. Ou há sexocracia ou ninguém come. Existem muitas formas de ter sussexo na vida. Dura lex non latex.
6 - Rir. O riso não tem que morar longe do siso. Podem e devem partilhar a mesma cabeça, cuja sentença deve ser coerente e verdadeira com o espírito da coisa e do coiso ( porque não?).
Como começa a ser meu costume, não nomeio a passagem do testemunho. Quem sentir que tem algo a dizer e se queira atrever a pegar-lhe, faça o favor. Um pedido lhe deixo: deixe aqui essa intenção para eu e outros passarmos por lá. Pense, abra-se e dê-se. Dar não é perder.
28/01/2008
Poema alentejano
Andava passeando
encontréi o mê amori
Pus-me estressando
Tal era o mê calori
Tropecei num caracóli
Fui c'as bentas ao chão
Estendido ali ao sóli
Pedi logo a sua mão
A moça tod'encarnada
disse qu´eu era louco
dê-me uma estalada
e disse qu'era pouco
Mas a cousa piorou
quando ma declarei
Disse-lhe tudo o que sou
e ali mesmo m' atirei
Home de poucas letras
mostrei minhas virtudes
Na me fio cá em tretas
Assumi as atitudes
Levei mais um murro
vi mas de mil estrelas
Mais esperto é mê burro
que sabe escolhe-las
na se mete nas encrecas
e está sempre a comer
Más tardi cand'acordei
ca barriga a dar horas
lá m'alevantei
dorido e com demoras
Nã sê se foi do tinto
ou talvez das chouriças
Fora compadre Jacinto
que m'arreara nas bêças
_______
Pedro Arunca
2008/01/28
encontréi o mê amori
Pus-me estressando
Tal era o mê calori
Tropecei num caracóli
Fui c'as bentas ao chão
Estendido ali ao sóli
Pedi logo a sua mão
A moça tod'encarnada
disse qu´eu era louco
dê-me uma estalada
e disse qu'era pouco
Mas a cousa piorou
quando ma declarei
Disse-lhe tudo o que sou
e ali mesmo m' atirei
Home de poucas letras
mostrei minhas virtudes
Na me fio cá em tretas
Assumi as atitudes
Levei mais um murro
vi mas de mil estrelas
Mais esperto é mê burro
que sabe escolhe-las
na se mete nas encrecas
e está sempre a comer
Más tardi cand'acordei
ca barriga a dar horas
lá m'alevantei
dorido e com demoras
Nã sê se foi do tinto
ou talvez das chouriças
Fora compadre Jacinto
que m'arreara nas bêças
_______
Pedro Arunca
2008/01/28
23/01/2008
Há mulheres...
... charmosas, radiantes e até perfumadas;
... tímidas, furtivas e até ousadas;
... frágeis, atrevidas e até magoadas;
... corajosas, impulsivas e até apagadas;
... ambiciosas, dinâmicas e até realizadas;
... decididas, sensíveis e até desesperadas;
... cultas, atentas e até abandonadas;
... modelo, sexy e até ignoradas;
... comuns, discretas e até amadas;
... filhas, mães e até educadas;
... felizes, solteiras e até casadas;
... faladoras, de burca e até caladas;
... vaidosas, convencidas e até adoradas;
... de ninguém, viúvas e até desejadas;
... negras, claras e até pintadas;
... famintas, satisfeitas e até conformadas;
... honestas, fiéis e até enganadas;
... virgens, prostitutas e até frustradas;
... sortudas, ricas e até azaradas;
... livres, trabalhadoras e até ocupadas;
... submissas, autoritárias e até mandadas;
... doentes, drogadas e até recuperadas;
... polícia, presas e até vigiadas;
...-a-dias, noctívagas e até contratadas;
... palhaço, artistas e até choradas;
... soldado, poetisas e até acantonadas;
... serenas, activas e até revoltadas
... cantoras, desconhecidas até cantadas;
... santas, mártir e até endeusadas;
... bruxas, crentes e até enfeitiçadas;
... históricas, dramáticas e até injustiçadas
... tristes, alegres e até apaixonadas;
... esposas, amantes e até enamoradas…
_______
Pedro Arunca
2008/01/23
... tímidas, furtivas e até ousadas;
... frágeis, atrevidas e até magoadas;
... corajosas, impulsivas e até apagadas;
... ambiciosas, dinâmicas e até realizadas;
... decididas, sensíveis e até desesperadas;
... cultas, atentas e até abandonadas;
... modelo, sexy e até ignoradas;
... comuns, discretas e até amadas;
... filhas, mães e até educadas;
... felizes, solteiras e até casadas;
... faladoras, de burca e até caladas;
... vaidosas, convencidas e até adoradas;
... de ninguém, viúvas e até desejadas;
... negras, claras e até pintadas;
... famintas, satisfeitas e até conformadas;
... honestas, fiéis e até enganadas;
... virgens, prostitutas e até frustradas;
... sortudas, ricas e até azaradas;
... livres, trabalhadoras e até ocupadas;
... submissas, autoritárias e até mandadas;
... doentes, drogadas e até recuperadas;
... polícia, presas e até vigiadas;
...-a-dias, noctívagas e até contratadas;
... palhaço, artistas e até choradas;
... soldado, poetisas e até acantonadas;
... serenas, activas e até revoltadas
... cantoras, desconhecidas até cantadas;
... santas, mártir e até endeusadas;
... bruxas, crentes e até enfeitiçadas;
... históricas, dramáticas e até injustiçadas
... tristes, alegres e até apaixonadas;
... esposas, amantes e até enamoradas…
_______
Pedro Arunca
2008/01/23
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