19/05/2007

Esteva

Bela flor da esteva
É rainha no campo
Eleva a sua beleza
com tiara de branco

Branca flor
espero o meu amor

Dá a vida por um dia
Cada um o seu desejo
Pôr no cante a alegria
Sua voz, no Alentejo

Branca flor
espero o meu amor

O vento passa por ela
E leva o seu perfume
Puro mel, alva pétala
Vive sem queixume

Branca flor
espero o meu amor
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Pedro Arunca
2007-05-19

15/05/2007

Cartas guardadas

Longe, os dias cor de rosa
Distantes, as flores do jardim
Poemas que já foram prosa
Cartas que guardo para mim

Palavras nunca escutadas
Páginas por desvendar
Lágrimas cristalizadas
Que o tempo fez secar

Cada estrela um segredo
Que a lua lhe contou
Sombras no arvoredo
Que o amor projectou
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Pedro Arunca
2007/05/15

06/05/2007

MÃE de A a Z

Mãe é afago, beijo primeiro, carinho, dedicação, embalo no colo,flor delicada, guarda-nocturno, história para dormir, imagem eterna, jogo do esconde-esconde, lágrima escondida, música no coração, natal de todos nós, olhos belos, palavra mágica, quarto arrumado, remédio certo, sopinha quente, ternura no estado puro, uva sem grainha, vigilante atenta, xi-coração, Zero de medo, etc.

05/05/2007

Fobias de A a Z

A TSF passou, a 6/5, uma excelente reportagem sobre fobias. A não perder "Prisioneiros do Medo" (arquivo)
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Fiquei a pensar nos medos que nos afectam e no modo como se reflectem nas nossas atitudes e comportamentos. Seria útil ter um BIF (Bilhete de Identificação de Fobias).
O abecedário está quase todo a(in)fectado. Que saiba, apenas as letras K, Y e W, escapam às fobias. Há fobias para todos os desgostos.

Não sou psiquiatra, mas tento reparar as minhas próprias mazelas. Se necessário, recorro à minha caixa de ferramentas e tapo um buraco, penduro ou mudo um quadro, troco uma lâmpada, dou uma pintura, acabo com o ping-ping da torneira, aperto um parafuso, calafeto uma porta, enfim… pequenos trabalhos de animal auto-doméstico. Quem é que não tem uma chave de parafusos, um martelo e um alicate? É o mínimo!
Não há desculpa para não ter. Vá já, a uma das lojas do chinês da sua rua, e compre um Kit a seu gosto. Faça você mesmo a sua pequena reparação. Os grandes estragos requerem especialistas.

O tempo ensina-nos a reparar males menores. Os grandes, ficam para dias melhores, piores ou para dia de S. Nunca (adoro este Santo, ninguém sabe a sua história mas é o que tem mais devotos).

Finalmente percebi porque, a dado momento, andei com A, B e C. Como? Continuo a falar de fobias!
Das minhas, só falo na presença do meu cão.
Pensem em alguém que conheçam bem (mãe, pai, avós, amigo de infância) e/ou que conheçam mal (V. Ex.ª, colega de trabalho, namorada/o, cônjuge, filhos). Arrisquem associar uma, ou mais, das iniciais dos nomes de cada pessoa às respectivas letras das fobias. Eu já o fiz e até comecei a elaborar o mapa fobínico com todos eles. Escolhi algumas, por aquela ou aqueloutra razão:
Atazagorafobia - medo de ficar esquecido ou ignorado
Biofobia - medo da vida
Cronofobia - medo do tempo
Dipsofobia - medo de beber
Ergofobia - medo do trabalho
Fronemofobia - medo de pensar
Gnosiofobia - medo do conhecimento
Hominofobia - medo de homens
Ideofobia - medo de ideias
Japanofobia - medo de japoneses
Logofobia - medo de palavras
Metrofobia - medo ou ódio de poesia
Neofobia - medo de qualquer coisa nova
Ometafobia ou omato - medo de sonhos
Papirofobia - medo de livros
Quiraptofobia - medo de ser tocado (a)
Ritifobia - medo de ficar enrugado
Sarmassofobia - medo de fazer amor (malaxofobia)
Tafofobia ou tafefobia - medo de ser enterrado vivo
Uranofobia - medo do céu
Verbofobia - medo de palavras
Xenofobia - medo de estrangeiros ou estranhos
Zeusofobia - medo de Deus ou deuses

03/05/2007

Chicago

Recordar agora
Lutas de outrora
Reduzir a jornada
Da ganga cansada
Sangue nas ruas
Verdades cruas
Milhares de razões
Morrer por milhões
Chicago profundo
Mudou o mundo
O fruto no galho
8 horas de trabalho
É preciso honrar
Aquele que tombar
Refletir na causa
Momento de pausa
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Pedro Arunca
2007/05/03

30/04/2007

Código de barras


Cada dia é uma peça
da máquina do tempo
Caminhar sem pressa
Viver cada momento
Cada ser um produto
com genes certificados
Cada alma um reduto
Códigos não decifrados
Na origem a essência
No destino a mais-valia
Imagem é a referência
Rotulada mercadoria
Na linha de montagem
Etiquetas são amarras
Para evitar a clonagem
Quero código de barras
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Pedro Arunca
2007/04/30

28/04/2007

Ter ou não ter eis a razão

Quem pouco tem, a tudo dá valor
Quem algo perdeu, só depois valoriza
Quem muito tem, muito mais quer
Quem tudo tem, a nada lhe sabe
Quem tudo quer, nada alcança
Quem tudo inveja, nada merece
Quem tudo merece, às vezes nos esquece

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Pedro Arunca
2007/04/28

26/04/2007

Aqui Terra, chamando...escuto

Hoje vou na prosa. 4 h da manhã e revejo o dia que passou. Vou à cozinha, ligo a torradeira e aqueço o leite. Dei por mim a rir dum poema imaginado, mordido pelas traças. Lá irei. O que fiz ontem: duas sobremesas, almocei rancho, escrevi um poema, liguei a Net e estive lá com alguns amigos. Não sei se o Chelsea ganhou. Estou muito mais preocupado com a descoberta de um novo planeta. E todos devíamos estar. De certeza que amanhã, no horário de trabalho, o tema é o futebol e não o 25 de Abril ou a Gliese 581. Quê? É a estrela do novo planeta que, a 20 anos-luz, passa a ser a menina dos olhos dos astrónomos e doutros "cabeças no ar". Não estarei lá para o confirmar.Fico preocupado com o facto de já pouco ligarem à velha Terra e, agora, como é novidade, apontarem todo os holofotes à Super Terra. Como somos pouco deligentes nas coisas terrenas, é mais fácil fazer as malas e mudar de casa. O último apaga a luz. Se alguem cá ficar que se cuide.

23/04/2007

Amarras


Lanças teu olhar
No horizonte distante
Onde o céu cai no mar
A gaivota que cante
Tua beleza ímpar
Desejo constante
Querer e alcançar
Amor tonificante
Saber saborear
O sal penetrante
Na pele a brilhar
Pó de diamante
A cristalizar
Corpo cintilante
A naufragar
Barco sem tripulante
Para comandar
Porto confiante
Cais para ancorar
Braços de amante
Cordas de amarrar
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Pedro Arunca
2007/04/23

15/04/2007

Sementes perdidas

Perdido de mim
Como abelha num jardim
As palavras acabaram
Nossas mãos se amaram
Senti-me a levitar
O coração a saltar
Para fora do peito
Fiquei sem jeito
As pernas fraquejam
Nossas bocas se beijam
A química a funcionar
Corpos liquefeitos
Um campo magnético
Movimento frenético
Êmbolos e máquinas
Os lençóis são páginas
Do livro impossível
Fruto apetecível
Folhas esquecidas
que o tempo enrugou
Flores caídas
que a abelha não beijou
Sementes perdidas
no segredo da terra
Só a chuva revela
às nuvens da serra
a vontade dela

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Pedro Arunca
2007/04/15

14/04/2007

A palavra

Reduzir a palavra à essência
Como em qualquer ciência
Nada acontece por acaso
Semente não requer vaso

Reutilizar a palavra esquecida
É poder dar-lhe outra vida
Descobrir nova emoção
Reviver uma recordação

Reciclar a palavra usada
Das bocas muito afastada
Nos livros, feita mono
Encontra sempre dono

A palavra é fundamental
Erudita ou banal
Traduz o gesto e o afecto
Descreve o acto e o facto
Expõe o pensamento
Revela o sentimento

Uma palavra demolidora
É bomba detonadora
Arrasa sem contemplação
Um país ou um coração

A palavra é uma lança
Com ela leva a esperança
Que una povos e terras
Ponha fim às guerras

A palavra AMOR
É um enorme reactor
Que o mundo faz girar
E, em ON deve estar
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Pedro Arunca
2007/04/14

05/04/2007

Páscoa

No meu tempo de menino
Ao ouvir o toque do sino

Todas as portas se abriam

Vinha o padre com a cruz
Beijávamos os pés a Jesus

As mesas enriqueciam

Com oferendas e flores
Amêndoas de várias cores

As casas abençoadas

Muito bem ensinadinhos
Visitávamos os padrinhos

As prendas desejadas

Eram mais e novos brinquedos
Pois contavam-se pelos dedos

Naquele tempo de criança

Os que faziam a nossa alegria
Nas brincadeiras de cada dia

Hoje tempo de abastança
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Pedro Arunca
2007/04/05

03/04/2007

Amigos de infância

Hoje lembrei dos tempos de criança.
Recordei muitos amigos de infância.
Com eles brinquei, briguei e estudei.
Amigos de sempre que um dia deixei.

Poucos brinquedos, muito riso e brincadeira.
Improvisar com caricas, latas e madeira.
O peão a rodar na palma da mão.
O prego no chão. O primeiro era campeão.
A bola na rua e no recreio da escola.
A bicicleta, roda vinte e oito, feita num oito.
Os carrinhos de esferas com “aceleras”.
Rolha, chumbo, anzol, 2m de fio e cana do rio.
Os berlindes coloridos, ganhos e perdidos.
Os cromos da bola na caderneta com cola.

Nas férias, os dias eram pequenos.
Na escola, enchiam os cadernos.
Brincar na rua, tinha hora marcada.
Não ouvir chamar e fugir da palmada.

Muitas diabruras, dos livros de aventuras.
Fomos índios e cowboys e fantasmas de lençóis.
À noite os sustos, escondidos nos arbustos.
Tudo nas caminhas, tocavam as campainhas.
Dar aos sapatos. Na frente iam os gatos.

Antes que se apague a lembrança,
Escrevo o que a memória alcança.
Viver e brincar, sempre o fiz e farei.

Os amigos, nunca esquecerei.
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Pedro Arunca
2007/04/03

01/04/2007

Cada dia que passa é uma página do livro que nos compete escrever.

30/03/2007

As cores mudaram

Ausentas-te para onde ninguém te procura.
Deixas um rasto de inquietude, que não te abala.
Ouves o silêncio a abafar os teus medos.
Uma miragem é o teu oásis. Quase real.
Deslumbram-te, nas areias estéreis,
as figuras que o sol desenha ao partir.
Tempestades. Saudades do mar revolto.
As estrelas são as mesmas que deixaste.
Cá, que daí não alcanças,
ficaram os que te amam e desejam,
sem o desfrute que a novidade representa.
Vens do nada com coisa nenhuma.
Explicas o que não sabes e não queres.
Refugias-te em estados de alma que o corpo não consente
Pintas o céu com azul do mar.
As cores, aqui, mudaram.
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Pedro Arunca

28/03/2007

Erika

Não queres o Sol, nem lhe pedes nada.
Eternos momentos. Vida inspirada.
Mais luz nos dias. Muito calor no coração
Consomes-te no fogo vivo duma paixão

No mundo que te rodeia e te movimentas.
Dás tudo por tudo. Muito reinventas.
Sentimento e vontade, de te dares inteira
Pensamentos livres. Da arte prisioneira.

Misturas na comida sabores com mil cores.
O caos na tua vida, como com teus amores.
Na tela, fixas teus sublimes desejos:
Pintar paisagem com flores, poemas e beijos

Cada amigo, um quadro. Cada quadro, sua história.
Galeria de rostos, expostos na memória
Sorrisos nos pratos com a música dos talheres.
Os copos bebem as palavras dos homens e mulheres.
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Pedro Arunca
2007/03/28

25/03/2007

Mousse de morango

Ingredientes:
Morangos (1/2 Kg)
Leite Condensado (1 lata peq)
Claras (3)
Folhas de Gelatina (3)

Preparos:
-Bater as claras em castelo.
-Retirar os pés aos morangos e triturá-los com a varinha mágica. Se deixar repousar o "batido", pode assm separar a borra formada pelas "grainhas".
-Dissolver as folhas de gelatina num pouco de água morna.
Conclusão:
Na taça de servir, deitar o leite condensado, o batido e as claras. Envolver com a varinha mágica (ac. arames), juntando a gelatina. Levar ao frigorífico.

22/03/2007

Primavera

A Primavera é tela colorida
Quem será seu pintor
Mais alegre nos torna a vida
Muitas cores tem o amor

A Primavera é sinfonia
Quem será seu compositor
Mais feliz nos soa o dia
Muitos pássaros a compor

A Primavera é jardim
Quem será seu jardineiro
Mais perfumes num sem fim
Muitas flores no canteiro

A Primavera é magia
Quem será que a faz
Mais sorrisos e euforia
Muita gente é capaz

A Primavera é notícia
Quem será que a vai dar
Mais brincadeiras, que delícia
Muitas andorinhas a chegar
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Pedro Arunca
2007/03/21

12/03/2007

Nasci de novo

Errei na noite,
seguindo a luz
trémula do horizonte.

Farol de abrigo
chamando o barco,
ao aconchego do cais.

No teu convés
adormeci, cansado.
O teu vestido jaze
como vela arreada.

Nasci de novo,
quando o sol queimou o breu.
No sal da pele,
A esperança consumida.

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Pedro Arunca

Noite

Apaga-se o dia farto de sol.
Hoje não nasceste para mim.
Embebo-me nas palavras que a noite dita.
A rádio preenche o silêncio dos sós.
95.7 MHz não distorcem o meu pensamento,
ondas de ternura sobrepostas.
Outras barreiras quebram vontades.
Frequências moduladas.