03/05/2007

Chicago

Recordar agora
Lutas de outrora
Reduzir a jornada
Da ganga cansada
Sangue nas ruas
Verdades cruas
Milhares de razões
Morrer por milhões
Chicago profundo
Mudou o mundo
O fruto no galho
8 horas de trabalho
É preciso honrar
Aquele que tombar
Refletir na causa
Momento de pausa
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Pedro Arunca
2007/05/03

30/04/2007

Código de barras


Cada dia é uma peça
da máquina do tempo
Caminhar sem pressa
Viver cada momento
Cada ser um produto
com genes certificados
Cada alma um reduto
Códigos não decifrados
Na origem a essência
No destino a mais-valia
Imagem é a referência
Rotulada mercadoria
Na linha de montagem
Etiquetas são amarras
Para evitar a clonagem
Quero código de barras
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Pedro Arunca
2007/04/30

28/04/2007

Ter ou não ter eis a razão

Quem pouco tem, a tudo dá valor
Quem algo perdeu, só depois valoriza
Quem muito tem, muito mais quer
Quem tudo tem, a nada lhe sabe
Quem tudo quer, nada alcança
Quem tudo inveja, nada merece
Quem tudo merece, às vezes nos esquece

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Pedro Arunca
2007/04/28

26/04/2007

Aqui Terra, chamando...escuto

Hoje vou na prosa. 4 h da manhã e revejo o dia que passou. Vou à cozinha, ligo a torradeira e aqueço o leite. Dei por mim a rir dum poema imaginado, mordido pelas traças. Lá irei. O que fiz ontem: duas sobremesas, almocei rancho, escrevi um poema, liguei a Net e estive lá com alguns amigos. Não sei se o Chelsea ganhou. Estou muito mais preocupado com a descoberta de um novo planeta. E todos devíamos estar. De certeza que amanhã, no horário de trabalho, o tema é o futebol e não o 25 de Abril ou a Gliese 581. Quê? É a estrela do novo planeta que, a 20 anos-luz, passa a ser a menina dos olhos dos astrónomos e doutros "cabeças no ar". Não estarei lá para o confirmar.Fico preocupado com o facto de já pouco ligarem à velha Terra e, agora, como é novidade, apontarem todo os holofotes à Super Terra. Como somos pouco deligentes nas coisas terrenas, é mais fácil fazer as malas e mudar de casa. O último apaga a luz. Se alguem cá ficar que se cuide.

23/04/2007

Amarras


Lanças teu olhar
No horizonte distante
Onde o céu cai no mar
A gaivota que cante
Tua beleza ímpar
Desejo constante
Querer e alcançar
Amor tonificante
Saber saborear
O sal penetrante
Na pele a brilhar
Pó de diamante
A cristalizar
Corpo cintilante
A naufragar
Barco sem tripulante
Para comandar
Porto confiante
Cais para ancorar
Braços de amante
Cordas de amarrar
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Pedro Arunca
2007/04/23

15/04/2007

Sementes perdidas

Perdido de mim
Como abelha num jardim
As palavras acabaram
Nossas mãos se amaram
Senti-me a levitar
O coração a saltar
Para fora do peito
Fiquei sem jeito
As pernas fraquejam
Nossas bocas se beijam
A química a funcionar
Corpos liquefeitos
Um campo magnético
Movimento frenético
Êmbolos e máquinas
Os lençóis são páginas
Do livro impossível
Fruto apetecível
Folhas esquecidas
que o tempo enrugou
Flores caídas
que a abelha não beijou
Sementes perdidas
no segredo da terra
Só a chuva revela
às nuvens da serra
a vontade dela

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Pedro Arunca
2007/04/15

14/04/2007

A palavra

Reduzir a palavra à essência
Como em qualquer ciência
Nada acontece por acaso
Semente não requer vaso

Reutilizar a palavra esquecida
É poder dar-lhe outra vida
Descobrir nova emoção
Reviver uma recordação

Reciclar a palavra usada
Das bocas muito afastada
Nos livros, feita mono
Encontra sempre dono

A palavra é fundamental
Erudita ou banal
Traduz o gesto e o afecto
Descreve o acto e o facto
Expõe o pensamento
Revela o sentimento

Uma palavra demolidora
É bomba detonadora
Arrasa sem contemplação
Um país ou um coração

A palavra é uma lança
Com ela leva a esperança
Que una povos e terras
Ponha fim às guerras

A palavra AMOR
É um enorme reactor
Que o mundo faz girar
E, em ON deve estar
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Pedro Arunca
2007/04/14

05/04/2007

Páscoa

No meu tempo de menino
Ao ouvir o toque do sino

Todas as portas se abriam

Vinha o padre com a cruz
Beijávamos os pés a Jesus

As mesas enriqueciam

Com oferendas e flores
Amêndoas de várias cores

As casas abençoadas

Muito bem ensinadinhos
Visitávamos os padrinhos

As prendas desejadas

Eram mais e novos brinquedos
Pois contavam-se pelos dedos

Naquele tempo de criança

Os que faziam a nossa alegria
Nas brincadeiras de cada dia

Hoje tempo de abastança
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Pedro Arunca
2007/04/05

03/04/2007

Amigos de infância

Hoje lembrei dos tempos de criança.
Recordei muitos amigos de infância.
Com eles brinquei, briguei e estudei.
Amigos de sempre que um dia deixei.

Poucos brinquedos, muito riso e brincadeira.
Improvisar com caricas, latas e madeira.
O peão a rodar na palma da mão.
O prego no chão. O primeiro era campeão.
A bola na rua e no recreio da escola.
A bicicleta, roda vinte e oito, feita num oito.
Os carrinhos de esferas com “aceleras”.
Rolha, chumbo, anzol, 2m de fio e cana do rio.
Os berlindes coloridos, ganhos e perdidos.
Os cromos da bola na caderneta com cola.

Nas férias, os dias eram pequenos.
Na escola, enchiam os cadernos.
Brincar na rua, tinha hora marcada.
Não ouvir chamar e fugir da palmada.

Muitas diabruras, dos livros de aventuras.
Fomos índios e cowboys e fantasmas de lençóis.
À noite os sustos, escondidos nos arbustos.
Tudo nas caminhas, tocavam as campainhas.
Dar aos sapatos. Na frente iam os gatos.

Antes que se apague a lembrança,
Escrevo o que a memória alcança.
Viver e brincar, sempre o fiz e farei.

Os amigos, nunca esquecerei.
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Pedro Arunca
2007/04/03

01/04/2007

Cada dia que passa é uma página do livro que nos compete escrever.

30/03/2007

As cores mudaram

Ausentas-te para onde ninguém te procura.
Deixas um rasto de inquietude, que não te abala.
Ouves o silêncio a abafar os teus medos.
Uma miragem é o teu oásis. Quase real.
Deslumbram-te, nas areias estéreis,
as figuras que o sol desenha ao partir.
Tempestades. Saudades do mar revolto.
As estrelas são as mesmas que deixaste.
Cá, que daí não alcanças,
ficaram os que te amam e desejam,
sem o desfrute que a novidade representa.
Vens do nada com coisa nenhuma.
Explicas o que não sabes e não queres.
Refugias-te em estados de alma que o corpo não consente
Pintas o céu com azul do mar.
As cores, aqui, mudaram.
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Pedro Arunca

28/03/2007

Erika

Não queres o Sol, nem lhe pedes nada.
Eternos momentos. Vida inspirada.
Mais luz nos dias. Muito calor no coração
Consomes-te no fogo vivo duma paixão

No mundo que te rodeia e te movimentas.
Dás tudo por tudo. Muito reinventas.
Sentimento e vontade, de te dares inteira
Pensamentos livres. Da arte prisioneira.

Misturas na comida sabores com mil cores.
O caos na tua vida, como com teus amores.
Na tela, fixas teus sublimes desejos:
Pintar paisagem com flores, poemas e beijos

Cada amigo, um quadro. Cada quadro, sua história.
Galeria de rostos, expostos na memória
Sorrisos nos pratos com a música dos talheres.
Os copos bebem as palavras dos homens e mulheres.
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Pedro Arunca
2007/03/28

25/03/2007

Mousse de morango

Ingredientes:
Morangos (1/2 Kg)
Leite Condensado (1 lata peq)
Claras (3)
Folhas de Gelatina (3)

Preparos:
-Bater as claras em castelo.
-Retirar os pés aos morangos e triturá-los com a varinha mágica. Se deixar repousar o "batido", pode assm separar a borra formada pelas "grainhas".
-Dissolver as folhas de gelatina num pouco de água morna.
Conclusão:
Na taça de servir, deitar o leite condensado, o batido e as claras. Envolver com a varinha mágica (ac. arames), juntando a gelatina. Levar ao frigorífico.

22/03/2007

Primavera

A Primavera é tela colorida
Quem será seu pintor
Mais alegre nos torna a vida
Muitas cores tem o amor

A Primavera é sinfonia
Quem será seu compositor
Mais feliz nos soa o dia
Muitos pássaros a compor

A Primavera é jardim
Quem será seu jardineiro
Mais perfumes num sem fim
Muitas flores no canteiro

A Primavera é magia
Quem será que a faz
Mais sorrisos e euforia
Muita gente é capaz

A Primavera é notícia
Quem será que a vai dar
Mais brincadeiras, que delícia
Muitas andorinhas a chegar
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Pedro Arunca
2007/03/21

12/03/2007

Nasci de novo

Errei na noite,
seguindo a luz
trémula do horizonte.

Farol de abrigo
chamando o barco,
ao aconchego do cais.

No teu convés
adormeci, cansado.
O teu vestido jaze
como vela arreada.

Nasci de novo,
quando o sol queimou o breu.
No sal da pele,
A esperança consumida.

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Pedro Arunca

Noite

Apaga-se o dia farto de sol.
Hoje não nasceste para mim.
Embebo-me nas palavras que a noite dita.
A rádio preenche o silêncio dos sós.
95.7 MHz não distorcem o meu pensamento,
ondas de ternura sobrepostas.
Outras barreiras quebram vontades.
Frequências moduladas.

11/03/2007

MÃE e MULHER

Com letra pequena
escrevo este poema

Germina a semente
que será gente
No útero o ser
O peito a crescer
Outro coração
na palma da mão
Viver por dois
Meses depois
chôro da partida
Alegria dorida
Momento feliz
Cortar a raíz
Conforto do colo
o melhor solo
Sorrisos e afecto
o melhor tecto

Com maior letra que houver
Se escreva MÃE e MULHER

02/03/2007

Vem depressa

Oh fonte dos desejos,
sacia o meu viver.
A dor dos teus beijos,
agora, quero ter.

Oh chama desta dor,
porque ardes sem cessar?
Vem depressa, amor
não a posso suportar.

O calor me consome.
Esqueço o tempo e a fome.
Faminto, o acalento.

Qual o teu rumo?
Barco sem prumo?
Sem destino, não tento.
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Pedro Arunca
1980/04/23

27/02/2007

História

Pobres ou ricos, os nossos pais,
num momento fomos iguais:
quando nossa mãe nos deu à luz,
nascemos nus.
Quem venceu guerras,
dividiu terras.
Uns nascem herdando,
outros morrem devendo.
O general vive com gala,
o soldado morre na vala.
Quem tem fornalhas
não come migalhas.
A muitos faltam tostões,
a outros sobram milhões.
Os dias podem ser sete,
mas a História não se repete.
Ontem a terra, hoje o pão.
Amanhã, perdemos a razão.
O futuro, sempre nos pertenceu.
Deus criou a Terra mas não a vendeu.

09/02/2007

Pouca terra...


Pouca gente na estação,
uns chegam outros vão.
Linha oeste, linha norte.
Partir para outra sorte.
A bandeira, já no ar
o homem vai apitar.
Fecham portas sem demoras,
o comboio sai a horas.

Pouca terra, pouca terra…

Sentado à janela,
vê o mundo passar por ela.
No fundo da sacola,
os cadernos da escola.
Geografia na memória
e das aulas de História:
nomes dos rios e das serras,
das batalhas e das guerras.

Pouca terra, pouca terra…

No bolso as economias,
de meses e muitos dias.
Molhos de lenha bem atados,
nas padarias empilhados.
Recados a tostão,
rebuçados, roupas e pão.
No bilhete o destino:
deixar de ser menino.

Pouca terra, pouca terra…