17/01/2007

Sem resposta

Alma inquieta
que nos consome e destrói.
Que papel nos calha
representar?
Sabemos quem somos
mas não nos conhecemos.
Com quantas máscaras
nos identificamos?
Nesta funesta vida
rimos sem alegria.
Quem nos defende
no mundo dos justos?
O barulho impera no
nevoeiro cerrado.
Quem mandou disparar
balas e morteiros?
Multidão silenciosa.
Ninguém estende a mão.
Posso falar?
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Pedro Arunca
2007/01/17

15/01/2007

Beijo acidental

Acidental
beijo de ritual

Lábios de mel

Adolescência
queda inocência

Memória cruel

Água na boca
corrente louca

Gira carrossel

Somam os dias
raras alegrias

Sabor a fel

Com a idade
muda a vontade

Outro papel

Novos caminhos
despertam carinhos

Arrepios na pele

Flores e afectos
encontros certos
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Pedro Arunca
2007/01/15

14/01/2007

q.b.

Encontros,
que o destino marcou.
Paralelos,
os caminhos percorridos.
Cúmplices,
na essência das coisas.
Inseparáveis,
na busca dos sentidos.
Esperança,
em cada gesto renovada.
Entrega,
nos momentos únicos.
Simplesmente,
duas pitadas convictas:
sal,
quanto baste;
amor,
nas horas do dia.

Tudo

Houve um tempo de ternura
Palavras contidas num olhar
Afectos impregnados de suor
Sorrisos cheios de alma

Chegavas e via partir o coração
Num abraço forte e longo
Contido por fraqueza
O dia era aquele momento

Encontrasse uma palavra
Suficientemente penetrante
Arremessava-a contra ti
Cravando-a no teu peito

Tudo por tão pouco
Tudo era nada
Pouco era muito
Pouco e tínhamos tudo

Sem olhar

Pode
a terra faltar
o mar encher meus olhos
o sol irradiar
a lua renovar minha alma

Posso
não deixar rasto
nadar sem rumo
olhar sem ver
nascer de novo

Pode
haver flor sem nome e
o seu perfume inebriar

Posso reparar em ti e
esconder o meu olhar

Cais das colunas

Juntas,
duas colunas do cais
espetadas no leito
do rio.
Ver os barcos partir
para longe
pequenos
esfumando-se.

O Tejo
perde-se
dando de beber
ao mar.

Ponte humana
de gente
abatida
em mais um dia,
que se repete,
na cidade.

Regressos e
esperas
de um abraço,
talvez um beijo,
para sobremesa
do dia.

Os poetas

Poemas quem os não tem?
Sonhos e medos, também.
Risos, canções e lágrimas,
fermentam versos e rimas.

Despertar na madrugada,
divagar sobre tudo e nada.
Sentir o coração bater.
As palavras: o sangue a correr.

Num momento, tudo faz sentido.
É o poema com o Universo contido.
Depois, de volta ao momento zero,
é não pertencer a Roma nem a Nero.

No verso, a alquimia.
No poema, a magia.
Rir, cantar ou chorar.
Tudo nos faz mudar.
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Pedro Arunca
2006/12/14

25/12/2006

O Natal em nós

Nas ruas iluminadas anunciamos o Natal.
Aqui e ali, músicas e cânticos da quadra.
Temos sorrisos de ida e volta.
Agora, vamos ser mais generosos.
Ligamo-nos, enfim, ao Mundo

Fazemos mais pelas crianças
Esquecemos os dias difíceis
Lembramos familiares e amigos
Imprimimos desejos e afectos
Zarpamos do mar da indiferença.

B
roas, sonhos e rabanadas
Ornamentos de cor e magia
Acordes e timbres de festa
Sons e ecos de alegria

F
alta-nos sempre alguma coisa
Esperamos e queremos mais
Somos voluntários da paz.
Talvez o Mundo se torne melhor
A partir de hoje e de cada um de nós.
Sejamos capazes de mudar
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Pedro Arunca
2006/12/21