Mostrar mensagens com a etiqueta Poemas 2007. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poemas 2007. Mostrar todas as mensagens

22/03/2007

Primavera

A Primavera é tela colorida
Quem será seu pintor
Mais alegre nos torna a vida
Muitas cores tem o amor

A Primavera é sinfonia
Quem será seu compositor
Mais feliz nos soa o dia
Muitos pássaros a compor

A Primavera é jardim
Quem será seu jardineiro
Mais perfumes num sem fim
Muitas flores no canteiro

A Primavera é magia
Quem será que a faz
Mais sorrisos e euforia
Muita gente é capaz

A Primavera é notícia
Quem será que a vai dar
Mais brincadeiras, que delícia
Muitas andorinhas a chegar
_______________
Pedro Arunca
2007/03/21

11/03/2007

MÃE e MULHER

Com letra pequena
escrevo este poema

Germina a semente
que será gente
No útero o ser
O peito a crescer
Outro coração
na palma da mão
Viver por dois
Meses depois
chôro da partida
Alegria dorida
Momento feliz
Cortar a raíz
Conforto do colo
o melhor solo
Sorrisos e afecto
o melhor tecto

Com maior letra que houver
Se escreva MÃE e MULHER

27/02/2007

História

Pobres ou ricos, os nossos pais,
num momento fomos iguais:
quando nossa mãe nos deu à luz,
nascemos nus.
Quem venceu guerras,
dividiu terras.
Uns nascem herdando,
outros morrem devendo.
O general vive com gala,
o soldado morre na vala.
Quem tem fornalhas
não come migalhas.
A muitos faltam tostões,
a outros sobram milhões.
Os dias podem ser sete,
mas a História não se repete.
Ontem a terra, hoje o pão.
Amanhã, perdemos a razão.
O futuro, sempre nos pertenceu.
Deus criou a Terra mas não a vendeu.

09/02/2007

Pouca terra...


Pouca gente na estação,
uns chegam outros vão.
Linha oeste, linha norte.
Partir para outra sorte.
A bandeira, já no ar
o homem vai apitar.
Fecham portas sem demoras,
o comboio sai a horas.

Pouca terra, pouca terra…

Sentado à janela,
vê o mundo passar por ela.
No fundo da sacola,
os cadernos da escola.
Geografia na memória
e das aulas de História:
nomes dos rios e das serras,
das batalhas e das guerras.

Pouca terra, pouca terra…

No bolso as economias,
de meses e muitos dias.
Molhos de lenha bem atados,
nas padarias empilhados.
Recados a tostão,
rebuçados, roupas e pão.
No bilhete o destino:
deixar de ser menino.

Pouca terra, pouca terra…

27/01/2007

Olhos nos olhos

Meus olhos nos teus
teus olhos nos meus
Escuta meu coração
palavras com emoção
Soltei minhas amarras
recolhi nossas armas
Evoco bons momentos
revelo meus sentimentos
As lágrimas a rolarem
com frases por acabar
Teu sorriso generoso
tem efeito poderoso
Ternura nos teus dedos
afasta dúvidas e medos
Derrubámos o muro
passámos para o futuro
Meu corpo satélite do teu
Minha alma no teu céu

26/01/2007

Rap

Calo o despertador
Acorda minha dor
Ligo o esquentador
Tomo duche reparador
Corro para o fogão
Margarina no pão
Meia de cada côr
Rotas, eram pior
Olho para a hora
Saio porta fora
Um frio de rachar
Comecei a fumar
Comboio atrasado
Chega apinhado
Levam-me no ar
Consegui entrar
Num empurrão
Tomba a multidão
Gritos e asneiras
Não há maneiras
Evito a confusão
Próxima estação
Passo de corrida
Atravesso a avenida
Tomo a bica a correr
Cheia, a ferver
Oferta do jornal
“O país está mal”
Leio na capa
Alguém escapa?
Subo a calçada
Porta encerrada.
“Descanso do Pessoal”
Piada de Carnaval?
Agora sem trabalho
Sou carta fora do baralho
O que é que eu fiz
Mereço este país?
O mal é geral
Aldeia global
Onde está o dinheiro?
Num grande mealheiro?

17/01/2007

Sem resposta

Alma inquieta
que nos consome e destrói.
Que papel nos calha
representar?
Sabemos quem somos
mas não nos conhecemos.
Com quantas máscaras
nos identificamos?
Nesta funesta vida
rimos sem alegria.
Quem nos defende
no mundo dos justos?
O barulho impera no
nevoeiro cerrado.
Quem mandou disparar
balas e morteiros?
Multidão silenciosa.
Ninguém estende a mão.
Posso falar?
----------------
Pedro Arunca
2007/01/17

15/01/2007

Beijo acidental

Acidental
beijo de ritual

Lábios de mel

Adolescência
queda inocência

Memória cruel

Água na boca
corrente louca

Gira carrossel

Somam os dias
raras alegrias

Sabor a fel

Com a idade
muda a vontade

Outro papel

Novos caminhos
despertam carinhos

Arrepios na pele

Flores e afectos
encontros certos
_______________
Pedro Arunca
2007/01/15